Escudo - De ouro, duas lanças, com bandeiras de duas pontas, tudo de
vermelho, passadas em aspas; brocarte sobre o cruzamento uma caveira de negro
com as cavidades orbitais, nasal e dentes de prata, tendo sotoposto duas
tíbias passadas em aspas, também em negro.
Elmo - Militar de prata, forrado de vermelho, a três quartos para a
dextra.
Correia - De
vermelho, perfilada de vermelho.
Paquite e Virol - Pescoço e cabeça de cavalo, de negro, animado e
narinas de vermelho.
Divisa - Num listel branco, ondulado sotoposto ao escudo, em letras
negras maiúsculas, de estilo "Elziver": MORTE OU GLÓRIA.
(Para compreender em toda a
dimensão o significado da divisa
"MORTE OU GLÓRIA", teremos que a
enquadrar no seu conteúdo histórico, remontando à Guerra Civil do século
passado em que se bateram absolutistas - miguelistas ou realistas - e liberais
- constitucionalistas. A ocupação do trono por D. Miguel, o regresso ao
sistema do governo absolutista e a impiedosa perseguição aos elementos
liberais que desejavam uma monarquia constitucional, vai lançar o País numa
guerra civil. Em 1831, D. Pedro, Imperador do Brasil, pai da jovem Rainha
espoliada nos seus direitos à coroa, encorajado pelos exilados de Londres e
Paris vai impulsionar a libertação do País do jugo absolutista. É nos meados
do Verão de 1832 que se iniciam as hostilidades, ficando, em breve decidida a
organização de um Regimento de Cavalaria em Inglaterra para apoiar a causa da
jovem Rainha. É assim que no Inverno de 1832, o Coronel Anthony Bacon é
contactado pelos recrutadores de D. Pedro, oferecendo-lhe o posto de Coronel
do Exército Liberal e o encargo de formar um Regimento de Lanceiros com o
efectivo de 400 homens. Bacon aceitou de bom grado esta ideia, iniciando de
imediato o recrutamento, aceitando homens das mais variadas partes da Europa.
Com a criação do Regimento de Lanceiros da Rainha - Ordem do Dia n.º 46, de
1833, dada no Quartel General Imperial da sitiada cidade do Porto, o Coronel
Bacon assumiu o comando do Regimento que estruturou à imagem e semelhança do
seu antigo Regimento, o 17th Lancers, dando-lhe a mesma divisa
"MORTE OU
GLÓRIA". Tema por demais apropriado pois tinha um duplo significado para
aqueles que sob ele lutaram, associando a morte dos Lanceiros ao nome da jovem
Rainha, Dona Maria da Glória).
Simbologia - As lanças em cruz sotopostas à caveira e às tíbias,
consubstanciam a paradigma de clara vitória da vida sobre a morte. O ouro do
campo atribui a aura triunfal ao herói, a sua própria transfiguração infinita
e eterna.
-- Constitui com o timbre, uma sigla que expressa a parenidade da força do
espírito sobre a matéria: O homem na sua harmonosa união mística com o
impetuoso cavalo.
-- Tal simbologia confere ao Regimento de Lanceiros Nº2, um perfil que os seus
cavaleiros, em quase trezentos anos, os seus lanceiros desde 1833, traçaram,
merecendo assim a sua legenda: "MORTE OU Glória", que é a sua divisa actual.
-- Sublimar-se-à heráldicamente, aqueles significados:
- Com o ouro - a fé, nobreza e a força;
- O vermelho - o valor, a vitória, a audácia e a grandeza da alma;
- Pelo Negro - a firmeza e a virtude;
- Na prata - estará o sentido da esperança.
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